Recife / PE - quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Fisioterapia e Gestação

ASSOALHO PÉLVICO DURANTE O PERÍODO GESTACIONAL



     O assoalho pélvico é uma estrutura complexa composta de um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias que apresentam como objetivo a sustentação e o suporte de órgãos como a bexiga, a vagina e o reto, além de manter a continência urinária e fecal, bem como permitir a passagem do feto durante o parto, sendo também importante para a função sexual.

       Durante o período gestacional, devido ao crescimento uterino, há um aumento da pressão intra-abdominal e sobrecarga da musculatura do assoalho pélvico, tal sobrecarga pode repercutir de forma negativa na execução da maneira adequada da função do assoalho pélvico provocando incontinência urinária e disfunção sexual.

     Uma das maneiras de prevenir e tratar essas alterações são o treinamento muscular da musculatura do assoalho pélvico. O treinamento se dá por contrações voluntárias, seletivas e repetitivas desses músculos seguidas de seu relaxamento. É uma técnica segura que não exige a utilização de equipamentos.

     Alguns estudos mostram a influência positiva da realização do treinamento muscular da musculatura do assoalho pélvico com relação à perda urinária e fecal durante o período gestacional e puerpério. Outros estudos revelam ainda que a prática desse treinamento melhora a flexibilidade, a força e o controle motor da musculatura pélvica, o que facilita o período expulsivo durante o trabalho de parto.

       Diante das evidências científicas, entende-se que a inclusão do treinamento se faz importante e traz repercussões benéficas durante o período gestacional e puerperal.

    O fisioterapeuta que atua na área de uroginecologia e obstetrícia é um profissional que muito tem a contribuir nessa prática de prevenção e reabilitação da musculatura do assoalho pélvico minimizando complicações e contribuindo para um ciclo gravídico-puerperal mais saudável.

 

 

 Foto Alessandra Boa Viagem

Alessandra Boaviagem

Fisioterapeuta

Residência em Saúde da Mulher HC-UFPE

Especialista em Uroginecologia e Obstetrícia Faculdade Redentor-RJ

Mestranda em Fisioterapia UFPE




REFERÊNCIAS:

 

Abrams P, Cardozo L, Fall M, Griffiths D, Rosier P, Ulmsten U, Van Kerrebroeck P, Victor A, Wein A. The  standardisation  of terminology in lower urinary tract function: report from the standardisation sub-committee of the International Continence Society. Urology, 2003;61(1):37-49

 

Agur W, Steggles P, Waterfield M, Freeman R, Does antenatal pelvic floor muscles training affect the outcome of labor? A randomized controlled trial. Int Urogynecol J Pelvic Floor Dysfunct, 2008; 19(1)85-8

 

Bo K, Fleten C, Nystad W, Effect of antenatal pelvic floor muscle training on labor and birth. Obstet Gynecol, 2009, 113(6):1297-84

 

Johnson VY. How the principles of exercise physiology influence pelvic floor muscle training. J Wound Ostomy Continence Nurs, 2001; 28(3):150-5

 

Lemos A. Fisioterapia Obstétrica Baseada em Evidencias – 1.ed. – Rio de Janeiro:MedBook, 2014

 

Marques AA, Pinto e Silva MP, Amaral MTP. Tratado de Fisioterapia em Saúde da Mulher – São Paulo:Roca, 2011.

 

Salvesen KA, Morkved S. Randomised controlled trial of pelvic floor effect  muscle training during pregnancy. BMJ, 2004; 329(7462)378-80.