Recife / PE - quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

RELATOS DE PARTOS

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RELATO DE PARTO – Wendy Fellows e Bruno Cyreno


Tudo começou no dia 12 de janeiro, numa segunda-feira. Perdi o tampão (famoso sinal de trabalho de parto, que para algumas desencadeia no mesmo momento da perda, para outras, como eu, demora alguns dias).

Tive umas contrações perdidas e, quando elas ficavam mais frequentes e próximas, achava que chegara o momento. Mas elas me abandonavam anunciando que teria que ser mais paciente. Mariana Bahia me lembrava: “O ritmo é o de Maya, Wendy. Não o seu. Se mostre paciente e compreensiva com ela desde já!”. “Ok, Mari. Você tem razão (como sempre)”.
Às 4:30h da manhã do dia 16 de janeiro (sexta-feira) fui ao banheiro pela terceira vez, como de costume no final da gestação, e notei que estava sangrando. Mandei mensagem para Mari, que me respondeu prontamente. Como nos últimos três dias ela disse: “Vá descansar. Se as contrações ficarem mais frequentes ou uniformes me diga”. Às 5h da manhã começaram de 5 em 5 minutos, mas totalmente suportáveis. Até as 6h da manhã foi de 5 em 5 minutos sem parar. Foi quando Mari disse que viria para cá me fazer companhia.

Passamos a manhã numa boa: entre risos, cafezinho, lanche, música e contrações frequentíssimas, mas muito tímidas quanto à intensidade. Eu disse: “Vou fazer um molho de tomate e macarrão para nosso almoço”. Mari não hesitou: “Já tive parturiente fazendo de tudo: cantando, dançando, etc, mas cozinhando posso dizer que é a primeira vez!”.

Mari alertou a Bruno: “Wendy não ficará essa simpatia durante todo o trabalho de parto não, viu?”. As contrações ficaram levemente mais fortes, mas ainda nem eram como as cólicas de regra às quais estava acostumada. Mari falou com Dr. Thiago que indicou que nos encaminhássemos para o hospital com tempo e segurança. Almoçamos, arrumamos as coisas e partimos.

Dr. Thiago chegou no hospital às 2h para verificar a minha dilatação. Dr. Thiago olhou para Mari com cara de “MEIRMÃO, FALA SÉRIO!” e disse: 2 a 3 centímetros. Minha cara de paisagem: “E aí....?” Ele disse: "E aí que, na melhor das hipóteses, em 8 horas, na pior, em umas 12 horas. Então melhor esperar pela pior para não ficar ansiosa”. “Ok... Fazer o quê? Vamos ouvir música, bater papo... esperar o tempo passar!”

As contrações foram ficando mais fortes, mas o tempo de duração era sempre o mesmo entre 30 e 40 segundos. Quando resolvi entrar debaixo do chuveiro (que tende a espantar falsas contrações) só foi ficando mais forte. Comecei a entrar numa fase de abuso, como soe acontecer com algumas em trabalho de parto (porque não com uma pessoa naturalmente abusada? ).

Acredito que umas 17:30h - 18h entrei na piscina. Já estava chata. A massagem que Mari dava para aliviar a dor já era incômoda. As contrações foram me dominando. (elas são amigas, elas são amigas. Aiii, que amigas FDP!!).

Acho que estamos no famoso círculo de fogo! Meirmão, né um círculo não! São todas as formas geométricas! Queima. Queima mesmo! Quando inspirava era consciente, quando ia expirar só saía grito de terror hitchcoqueano. Me lembravam que eu tinha que economizar energia para a hora de empurrar. Eu ouvia, mas não escutava. Estava realmente em outra dimensão. A água da piscina incomodava. Eu já não tinha posição. A única em que aguentava ficar era deitada para o lado esquerdo. Mas quando as contrações vinham doía muito.

Comecei a pedir a tal da analgesia. Parecia uma drogada dessas precisando da minha picadinha. Quando vinha a contração eu gritava feito uma baleia hooligan. Quando acabava pedia como uma gatinha abandonada: “Quero analgesiaaaaaa”. E a equipe: Dr. Thiago, Mari e Bruno a me dizer: “Está tudo perfeito. Maya está aí, pronta para descer. Se entregue que o resto acontece naturalmente!”. Teve um momento que Dr. Thiago disse a famosa: “Lembre-se que a mulher faz isso há séculos”. E eu respondi simpaticamente: “Coitadaaaaas!”.

Esse discurso me foi dito algumas vezes. Perdi um pouco a noção do tempo. Só sei que diziam que se eu tivesse vontade de empurrar, que empurrasse. E eu disse que já estava com essa vontade, mas quando empurrava sentia que tava sem força. Foi quando minha equipe querida resolveu decidir por mim. “Você vai para a banqueta”. Mas não conseguia nem me levantar. As pernas moles, moles.

Bruno me segurou, mandou me apoiar no seu pescoço. Todos ajudaram e consegui me levantar, entre uma contração e outra. Me sentaram na banqueta. A partir dali, entrei em alfa, beta, gama. As pessoas falavam, eu me sentia num filme preto e branco, que era ao mesmo tempo em câmera lenta e mais rápido que um cometa. Senti algo muito diferente. A dor que sentia nas contrações da piscina já não existiam. Apenas uma vontade louca de empurrar. Senti que eu voltei a dominar a respiração. E ela voltou a ser uma amiga legal (ou eu voltei a ser uma amiga legal para ela).

Essa parte foi tão rápida que nem sei descrever. Lembro de inspirar e fazer força, dessa vez com a expiração toda concentrada no empurrar. De repente, MAYA! Que rapidez! Ela saiu tão rápido. Achei que daria alguns empurrões para ela sair, mas parece que foi em um só!

Chorinho baixinho. Colo de mamãe. Paz no ninho criado. Quando caí na real por uns segundos perguntei, como gata surrada já sem energia: “Terei que fazer força para sair a placenta?” Quando Dr. Thiago deu duas apertadinha na minha barriga e na mesma hora eu empurrei e ela saiu. Essa foi como um espirro, nem notei!

Maravilha a tal da endorfina que me dominou. Meu filminho preto e branco continuou. Faz uma semana que Maya nasceu e ainda estou nele. Se não fosse por Dr. Thiago, Bruno e Mariana, não sei se teria conseguido. O parto é ativo, mas as vozes passivas são as entrelinhas, o antagonismo, a contrabalança; sem elas não teria o principal.

Obrigada a todos pelo apoio, pela confiança, pelo carinho, pela força. Obrigada por me ajudarem a passar por essa experiência que não tem palavras que a possam descrever. É como Maya, mágico, ilusório. É primavera, é água, é mãe!

PS: Meia hora depois do parto, todos conversando e rindo no quarto de Wendy e Maya. Chamei Mari perto de mim e disse: "Tenho que fazer uma confissão! Tive muita vontade de morder sua mão quando a segurava no momento do círculo de fogo. Mas me virei de lado e mordi a toalha". Ela, delicadamente levantou a mão e me mostrou dizendo: "Flor, você mordeu a minha mão!".

Conclusão: Doulas merecem indenização pós-parto!

Wendy Fellows


RELATO DE PARTO – FLÁVIA MOURA


   Enfim, meu relato de parto, como forma de incentivo a todas as gestantes por um parto normal com respeito e muita ocitocina! 

    Eu consegui! Pari um bebê lindo de 4.420kg e 52cm, sem analgesia!! 

     Quando me descobri grávida, senti uma felicidade imensa e ao mesmo tempo um medo de tudo que estava por vir. É só saber que está grávida que você começa a imaginar a mudança no corpo, o que você pode ou não pode comer, a marcar as consultas e exames médicos, a falar com suas amigas sobre apenas um assunto: a gravidez e o tão esperado bebê, com seus cuidados e descobertas deliciosas. Sem falar no parto! Esse assunto geralmente é bem polêmico, principalmente quando você começa a se informar e descobre que há um mundo literalmente novo que defende a humanização do parto e que a maior parte das pessoas que você conhece não entende muito bem esse novo mundo que clama por mais respeito e amor no momento do nascimento. O engraçado é que mesmo com tantas evidências, tantas são as mulheres que nem cogitam a possibilidade de quererem tentar um parto normal e algumas ainda chegam para te desanimar total, dizendo que a laceração pode ser muito grande, que seu corpo não voltará ao normal e outras coisitas a mais. Graças a Deus, no meu processo, encontrei grupos de apoio a gestante (Ishtar e DeMáter), pessoas instruídas (um agradecimento especial a minha prima Adriana Afonso, enfermeira obstétrica super competente, que sempre estava disponível para tirar todas minhas dúvidas) e leituras muito motivadores que me fizeram ter cada dia mais certeza que meu filho escolheria o momento que estivesse pronto para nascer. Um outro ponto difícil nesse processo foi a escolha do médico, acho que estive com uns 8 médicos para enfim encontrar o Dr. Thiago Cesar Parente Saraiva, um amor de pessoa, que defendia tudo aquilo que acreditava ser o melhor para mim e meu filho, isso sem falar na forma respeitosa que ele tratava a mim e a Nilton nas nossas consultas. Foi com o Dr. Thiago que decidi que meu parto seria sem anestesia, uma vez que a utilização desta, muitas das vezes, atrapalha o trabalho de parto, além de possibilitar uma chance maior de uso de fórceps ou vácuo. E a espera do dia? Eita coisa difícil! Esperar o tempo de Guilherme foi bem complicado para uma pessoa como eu que quero resolver tudo do meu jeito, no meu tempo. Ele veio querendo testar mesmo a minha fé e paciência...kkkk. Além da ansiedade que eu sentia, tinha que lidar com a ansiedade de todos que por mensagens, telefonemas estavam sempre a perguntar: cadê Guilherme? Sei que todas as perguntas eram pela preocupação e vontade de conhecer esse pequenininho tão amado, mas confesso que as vezes era cansativo responder tantas vezes por dia a mesma pergunta, quando minha vontade era que ele já tivesse nascido. Até completar as 40 semanas, esse sentimento foi bem tranquilo, pois é a data prevista para o parto, mas ao passar desse marco, a ansiedade piorava um tanto mais, por mais yoga que eu fizesse. Detalhe Importante: Para mim, a yoga foi fundamental! Recomendo a todas!!
Na véspera de completar 41 semanas, então, bateu um desespero: Será que esse menino não vai querer sair? E o detalhe é que a muitas semanas as contrações de treinamento já eram constantes em minha vida, gerando uma expectativa muito maior! E mais uma vez precisei parar, refletir e internalizar que a nossa vida não é controlada por nós, que compreender isso é uma das coisas mais importantes para o processo fluir. Nesse momento, um agradecimento especial a Maiana Gomes, minha doula, que escutou alguns desabafos, me orientando com sabedoria, que o processo do parto é entrega, é fé, é ter certeza que a natureza é perfeita e que tudo ocorrerá da melhor forma que deve acontecer. Que sobre isso e tudo mais eu não tenho controle. Eu precisava aceitar isso, precisava controlar a ansiedade, pois quanto mais ansiosa, mais adrenalina e menos ocitocina. Era tudo tão obvio, mas tão difícil de sentir e de aceitar. Eu precisava aceitar que tudo acontece no tempo que deve acontecer. Eu tinha muito medo que meu parto não acontecesse como tanto desejei e daí me veio Maiana mais uma vez dizendo: “Flor, Acredita que vai acontecer como precisa acontecer. Que o jeito que vier vai ser o jeito certo. Daí sempre vai ser a maneira desejada”. Simples assim! 
Então, já que meu Guilherme não resolvia nascer, comecei a seguir o meu plano de parto, colocando em prática alguns métodos de indução natural. Na segunda feira, 08/set/14, com 41 semanas e 1 dia, fiz a primeira sessão de acupuntura com a finalidade de induzir o parto. Senti muitas contrações na hora da aplicação, mas nada de Guilherme querer sair do bem bom da minha barriga. Na terça, fiz uma aula de yoga que foi um presente de Deus! Lúcia Helena (do espaço teser), minha instrutora nesse período, de uma sensibilidade rara, foi uma benção nas nossas vidas. E numa maravilhosa conversa, ela ajudou muito para permitir que tudo acontecesse. Uma das dicas era que eu devia mentalizar Gui nos meus braços, feliz, saudável e que devia repetir pra mim mesma que tudo estava pronto, que ele podia vir! Na quarta, outra sessão de acupuntura, associado à homeopatia e ao chá da Naoli (É uma parteira mexicana... vocês encontram fácil na internet). Na quinta, fui a mais uma consulta com Dr. Thiago. Dessa vez, a última! Ele fez o descolamento das membranas, mais uma forma de indução natural, que nada mais é que um toque. Ao sair do consultório, comida mexicana apimentada. Tudo para animar Guilherme a querer entrar em trabalho de parto. E ao sair do restaurante, as contrações que já vinha sentido, intensificaram. As 22h da quinta, mandei mensagem para dr. Thiago, Maiana e Adriana, avisando que as contrações estavam quase que de 5 em 5 minutos, em média. Como previsto no plano, não fui logo ao hospital. Ficamos em casa, eu eNilton Valença, que foi o melhor companheiro que eu podia desejar. As contrações doem mesmo! Mas dá e passa! Lembro que Maiana me falou por telefone: aproveita para descansar! E eu pensando: como ser possível? Acreditem que lá perto das 3h da manhã, quando estava com quase 3 contrações a cada 10 minutos, eu deitei para descansar e consegui. Quando vinham as contrações, Nilton me ajudava, dava massagens, ficou todo o tempo ao meu lado. Recorri também ao chuveiro quente para aliviar. Lá perto das 4h da manhã, minha prima Adriana, a que é enfermeira obstétrica, chegou em minha casa, nos avaliou, eu já estava com 7cm e o coração do meu Gui batia lindamente. Ligamos para Dr. Thiago e pouco depois das 6h, estávamos no hospital, com 9 cm de dilatação. Apesar de ter idealizado um parto na água, não tinha vaga disponível nos poucos apartamentos que eu poderia realizar esse desejo, tampouco achávamos que teríamos tempo para encher a piscina. Assim, fomos para a sala de parto, na qual tinha bola, banqueta e uma equipe que me deixou super a vontade para que eu escolhesse a melhor posição para meu bebê nascer. A banqueta foi a escolhida! Desde o princípio imaginava que o parto de cócoras era uma das melhores alternativas. Nilton ficou ao meu lado todo o tempo, parindo também, me dando todo o apoio que esperava e precisava naquele momento! A bolsa rompeu na sala de parto, entre uma contração e outra. E as 10:43h, eis que surge o milagre chamado Guilherme! Uma emoção indescritível! Nilton chorando, Guilherme chorando e eu numa sensação de vitória, de ter conseguido, sentindo uma felicidade única de estar com meu filho nos braços, saudável, perfeito e já amamentando-o! A placenta nasceu logo em seguida. O cordão foi cortado após parar de pulsar, pelo paizão Nilton, que no início da gravidez não se imaginava nem acompanhando o parto. Quanto orgulho de você, Nilton! Lembro de Maiana e Dr. Thiago e toda a equipe dizendo que Gui era um bebezão e não é que era! Ele nasceu com 4.420kg e 52cm, no tempo dele, vendendo saúde, com apgar 9-10! Muitos podem imaginar que com um bebê desse tamanho eu tenha tido uma grande laceração. Acreditem: Tive um corte mínimo e não levei ponto algum! Refletindo hoje, acredito que várias foram as razões: o expulsivo foi lento, a segurança de ter Nilton ao meu lado por todo o tempo, o respeito de Dr. Thiago e equipe comigo foi lindo de ver, o incentivo e orientação de Adriana e Maiana foram essenciais e, por fim, meu corpo e minha mente estavam preparados para esse momento. Gratidão imensa a todos vocês! As dores que senti? A cada dia, elas se tornam mais distantes e menores, podem acreditar. Não foi tudo como planejei, mas foi tudo lindo, como tinha que ser. Faria tudo outra vez!

RELATO DE PARTO – MORGANA

E lá estava eu em pleno domingão do Faustão fazendo mais um teste de gravidez, acabei esquecendo ele na urina por uns dez minutos, e quando dei conta, lá estava o positivo. Na verdade era o 4º em apenas um ano e meio de tentativas. Passei por um aborto espontâneo e duas gestações tubárias, onde na última precisei ser operada as pressas, mas a médica conseguiu preservar minha trompa.

Fui fazer a ultrassom, já desacreditada, saturada de ouvir: Morgana, não há sinal de gestação no seu útero, vamos procurar na trompa. Mas dessa vez era diferente, o meu bebê estava sim no útero, firme e forte. Saí de lá tremendo e chorando.

Sempre tive vontade de parir, e ouvi milhares de críticas durante minha gestação e “conselhos” de familiares que achavam uma loucura querer parto normal depois de tantas percas e por ser meu primeiro filho. Ouvi que era coisa de índia, primitiva... que não havia necessidade de sofrimento e dores já que a ciência estava tão evoluída e até que era um capricho meu. Bem, se querer o melhor pra minha filha esperando o momento que ela estivesse pronta pra vir ao meu encontro era capricho, sim, eu estava sendo caprichosa!

Comecei o pré natal e a ginecologista foi logo me avisando que não fazia parto normal e que caso eu optasse por cesárea, pagaria um determinado valor por fora. Continuei fazendo o pré natal com ela e pesquisando por médicos que fizessem parto normal, até que num grupo me indicaram Dr. Thiago Saraiva, e lá fui eu, meio duvidosa com mainha a tiracolo como em todas as consultas.

Saimos de lá maravilhadas, e tudo parecia perfeito. Mainha estava 50% a favor do parto normal, e eu 101% como no começo da gestação.

 Rafa (meu esposo) e eu fomos pra reuniões no Ishtar, encontramos uma doula que depois por motivos pessoais acabou não me doulando, e mais uma vez por indicação de grupo encontrei outra doula maravilhosa, Maria Rosa!

No decorrer da gestação acabei desenvolvendo hipertensão e diabetes gestacional, fui orientada a fazer dieta e atividades físicas para que pudesse ter meu tão sonhado parto, e assim foi até o final. Quando completei 36 semanas, o médico me explicou que em casos de diabetes gestacional nem sempre podemos esperar até as 42 semanas, e que talvez meu parto precisasse ser induzido. Foi um baque, pois eu não sabia nada de indução e fiquei tão paralisada que nem quis perguntar mais nada, só queria ir embora.

Começaram as consultas semanais e pesquisei muito sobre indução, tirava minhas dúvidas com o médico, e ele sempre me tranquilizava bastante. Chegamos na 38 semana e decidimos que a indução seria com 39 semanas, num sábado. Mainha chegou a cogitar se não seria melhor fazer logo uma cesárea para evitar meu “sofrimento” e o ginecologista muito calmo falou: Dona Marta, para isso eu precisaria de Morgana querer uma cesárea ou de um motivo, e não tenho nem um e nem outro.

Chegou enfim o sábado (19/07/2014), acordei e senti algo diferente, era o tampão que começava a sair, levantei animada, nos arrumamos, pegamos mainha e fomos pro hospital. Dei entrada e quando meu ginecologista fez o toque, eu já estava dilatando. Ele perguntou se poderia ajudar no trabalho de parto fazendo o descolamento de membranas, e eu consenti. Optamos por não colocar o 1º comprimido de misoprostol e aguardar o trabalho de parto fluir, me passou uns exames de sangue, ultrassom e me internou.

Subimos pro apartamento (doula, mainha, rafa e eu) e tudo estava muito tranquilo, ficamos conversando, caminhei, usei a bola, subi e desci escada, cochilei, a doula me fez escalda pés. E nada de sentir as famosas contrações. Fiquei todo tempo em contato com meu médico pelo celular, pois ele estava de plantão em outra maternidade. A noite ele chegou, fez o toque e não tinha evoluído, então decidimos colocar o 1º comprimido, continuei sem sentir contrações, jantei, andei, tentei dormir (pois a todo momento o médico me mandava descansar pro trabalho de parto). Lá pelas 23h comecei a sentir uma cólicas “bem fraquinhas”, o go me examinou e falou que estávamos dilatando lentamente, mas que estava progredindo e pedi a ele pra colocar o 2º comprimido pois já fazia 6 horas do primeiro.

Pouco tempo após, comecei a sentir as contrações e minha doula começou a monitorar e estavam ritmadas... O grande encontro estava perto! Mas parecia uma eternidade, as dores aumentaram e eu parecia não estar em mim. Pedia a todo momento anestesia, pensava pra que fui “inventar” de parir, tinha vontade de “matar” Maria Rosa cada vez que ela perguntava: Quer ir pra bola?

Era por volta das 4:30 da madrugada do domingo dia 20/07 quando eu implorei pela anestesia e meu go me explicou que iriamos pra sala de parto, caso eu optasse pela anestesia. Por mim tudo bem, fui andando, levei a analgesia e tudo pareceu ter melhorado. Meu go colocou sons da natureza para alegrar o ambiente, o clima era super tranquilo na sala, conversamos bastante, sorrimos e chegou um momento que as contrações voltaram com tudo.

A todo momento eu ouvia palavras de incentivo, de força... até que ouvi: ela está vindo Morgana, você quer vê-la? De imediato falei que não, colocaram o espelho e lá estava a cabecinha bem cabeluda. Nesse momento veio uma contração e junto com ela uma força de dentro da alma que eu não sabia que existia, e nasceu minha GUERREIRA! Com as luzes baixas, o ar desligado, com fundo musical de sons da natureza e veio direto pra mim, recebida com um amoroso: Bem vinda meu amor, é a mamãe! Papai cortou o cordão umbilical após parar de pulsar. Um nascimento digno que todos deveriam ter esse direito.

Agradeço a todos que participaram direta ou indiretamente desse momento tão sublime.

A mainha e Rafa (meu esposo) que aguentaram minhas chatices durante a gestação toda, a minha doula fofa Maria Rosa que mesmo gestante me doulou tão lindamente, com tanto carinho e paciência e a todo momento me lembrava que eu era capaz de parir. Ao meu ginecologista/obstetra Dr. Thiago Saraiva que sempre me atendia pacientemente e me tranquilizou sobre o parto, sempre me falava: Morgana quando a dor se tornar “insuportável” é a hora que Marina vai nascer. Que em momento nenhum cogitou uma cesárea, mesmo eu tendo 28 anos, vindo de três percas gestacionais, obesa, com hipertensão e diabetes gestacional.

FOTO PARTO MORGANA